sábado, 18 de setembro de 2010

O GERADOR DE DÚVIDA

          Antes de iniciar com este texto, faz-se mister esclarecer que o silêncio aqui tratado é aquele advindo com a ausência de todos os meio de comunicação.
         Silêncio! Em certas ocasiões, não existe grito mais alto que esse. Doe os tímpanos de tão alto, agride o coração, fere a alma, literalmente assusta. Quem pode com ele? Tão simples, mas...de reflexos tão complexos.
        Silêncio! Tão sonoro é incrivelmente sem sonoridade. Quem decifrara este enigma? O silêncio escreve uma história sem usar as letras. O silêncio é a forma de comunicação sem palavras. Diz até mais que mil palavras, escritas ou faladas. Uma forma de comunicação sem meio, sem condução. Há apenas o interlocutor e o receptor, nada mais que faça um elo entre um e outro.
          Os homens se comunicam muito pelo silêncio. Quem nunca experimentou esta comunicação nos momentos onde as palavras perdem a validade. Onde não há mais nada a se dizer! Onde a coragem não chega! Ou até mesmo, onde a emoção não deixa que as palavras fluam.
           O que tornaria possível esta comunicação? Seria a alma, ou o espírito? Seria a consciência ou apenas uma intuição? Seria um fluído de pensamentos, ou simplesmente a capacidade de percepção? Quem sabe não é um estado de transcendência? Não importa a denominação dada. O que interessa, é o seguinte fato: - O silêncio fala!
          O silêncio é uma comunicação paradoxal. Porque a mensagem da sua comunicação se eterniza por uma sucessão de dúvidas, nascidas de uma certeza. Senão vejamos breves exemplos:
         O filho silencia, com o pai, porque pensa que este está decepcionado demais para ouvi-lo. A certeza é que o pai esta decepcionado. As dúvidas são: Será que o pai o ouviria depois de tamanha decepção? Será que se falar com o pai, o mesmo o entenderia? Será que para resolver o problema uma conversa bastaria? Será que o pai tem razão? Será que falar com o pai seria o mesmo que assumir o erro? Será que realmente ouve um erro?...
         Em contrapartida, o pai silencia com o filho, porque está decepcionado. A certeza é que está decepcionado. A dúvida é: Será que esta atitude revela que o filho não se interesse mais em ouvi-lo? Será que o filho precisa ficar só, é refletir sozinho no assunto? Será que o filho estaria preparado para uma conversa? Será que o filho teria o interesse de se explicar? Será que o filho pretende mudar de atitude? Será que o filho realmente agiu mal?
         A amante briga com o ser amado e sai sem dizer palavra alguma. Ela silencia com ele por entender que este de fato a magoou, e em conseqüência disso a afastou de sua presença. A certeza é que ela se afastou dele. A dúvida é: será que ele a magoou para afastá-la dele? Será que ele agiu desta forma porque não a amava? Será que ele realmente pretendia magoa-la? Será que se ela o procurasse ele estaria interessado em falar sobre o assunto? Será que ele teria algo para falar? Será que ele compreendeu a sua atitude de se afastar? Será que ele quer que ela permaneça afastada? Será que se ela o procurasse este assumiria que a magoou? Será que ele se arrependeu? Será que ele enxerga o próprio erro? Será que ele estaria disposto a agir diferente? Será que vale a pena procura-lo?
          Em contrapartida, o amante sabe que magoou a sua amada, é por isso ela se afastou dele. A certeza é: ela se afastou dele. As dúvidas são: Será que de fato ele a magoou? Será que aquela ação seria realmente o suficiente para afastá-la dele? Será que ela não se utilizou de uma desculpa para enfim deixa-lo? Será que a magoa que ela nutre em relação a ele é o suficiente para não aceita-lo mais? Será que ela o entenderia se ele fosse se explicar? Será que ela merece alguma explicação? Será que ele quer dar alguma uma explicação? Será que ele deveria procura-la?...
         O que ocasionou tantas dúvidas foi o silêncio. Um gerador compulsivo de palavras, de frases, de entendimentos. Tão primitivo, e tão cheio de simbolismo. O silêncio é o vestido da ausência, ao mesmo tempo que é o companheiro da presença. Pois os possíveis significados do silêncio estão a todo tempo se fazendo presente.
         A utilização deste poderoso meio de comunicação deve ser metodicamente estudado, pelos que dele se utilizam. Posto que, o silêncio, assim como as palavras, nós leva a um caminho. No entanto, as palavras ainda que possam ser duvidosas nos conduzem a uma certeza. Enquanto o silêncio, ainda que seja certo, nos conduz a muitas dúvidas.
          Mas enfim, o silêncio não é uma estrada tão escura assim, porque uma coisa é clara: ele causa a separação física entre os que se comunicam. E esta separação tem uma conseqüência simples, qual seja, a não interação.
          Muito embora, o silêncio pareça ser uma abstenção de atitudes, uma ausência de escolhas, ele na verdade é uma escolha. Mas que escolha seria esta? Depende da representação. O silêncio pode ser a escolha pelo orgulho (em não dar o braço a torcer numa decisão), pelo desconhecido (quando se prefere esperar por uma opção melhor), pela sorte (no caso de não se ter certeza do que se quer realmente), pela covardia (quando temos medo do resultado da conversa), pela malícia (quando com ele queremos gerar uma situação), pelo desanimo (quando não acreditamos que as palavras irão surtir efeitos), pelo ódio (quando buscamos ferir) e entre inúmeras outras possibilidades pasmem; que até pela escolha do amor (quando acreditamos que o mesmo terá conseqüências positivas).
        Mas o fato é que até mesmo as representações do silêncio não passam de especulações. Porque lembre-se: o silêncio e o gerador da dúvida. E a dúvida é o arcabouço das possibilidades.
        Escolher pelo silêncio e o mesmo que escolher pelas possibilidades. No entanto, a possibilidade é muitas vezes uma situação de estacionamento. Visto que, quando escolhemos um caminho, ele pode gerar inúmeras conseqüências. No entanto, quando não escolhemos caminho algum, estamos diante de infinitas possibilidades, que não geraram conseqüências, até que seja realizada alguma escolha. Mas, não esqueçamos do tempo, porque este, não quer saber se você esta estacionado ou não, ele passa e te carrega nem que seja guinchado. De maneira que o tempo acaba por aniquilar toda a dúvida, não porque ele te dará a oportunidade de traçar vários caminhos. Mas sim, porque ele te traçará um caminho. De maneira que você perceberá que sempre houve apenas dois caminhos, o de falar, e o de silenciar.

Patrícia Lima
04/2006

MOVIMENTO O ANTÍDOTO DA FRUSTRAÇÃO

Diante de uma frustração ou desilusão o abatimento é inevitável, ainda que momentâneo. A tristeza entra na nossa alma como o liquido injetado pela agulha entra em nossas veias e logo percorre todo o nosso corpo por meio da corrente sanguínea.
         E mesmo que de forma indesejada o desânimo nos toma. De repente um estado de inércia parece rodear a nossa existência.
          E eis que surge um momento de reflexão, como uma tentativa de não aceitação, buscamos encontrar o erro, na esperança de assim, voltar no tempo, corrigi-lo e enfim, lograr êxito.
         Mas... o tempo é um caminho sem volta. E quando temos que enfrentar essa realidade o caos parece querer se instalar dentro de nos.
         Para reter o desespero, nos apegamos a possibilidade de compreender o que se passou, desprendemos tempo e energia nesse propósito. Assim, somos distraídos dia a dia, o tempo imperioso não nós espera.
         Inertes diante da decepção e do desgosto andamos em círculos. E ao nosso redor tudo parece constante em que pese todo o nosso esforço em mover a realidade para algo novo, esta na verdade acompanha a nossa inércia mental.
         Em determinado momento começamos a frear com este desejo de querer compreender, mais por desistência do que por entendimento. Assim, só nos resta a tão desgostosa aceitação.
         Esta aceitação nos dá duas opções. Ou permanecemos frustrados a lamentar tudo o que não foi, mas poderia ter sido (isso conforme o devaneio de cada um). Ou nós desprendemos daquela velha frustração, tiramos do ruim o lado bom e seguimos em busca de novas conquistas ou frustrações.
         O fato é que esteja você inerte com a vida, andando em círculos preso ao passado; ou em movimento com a vida inerte quanto aos pensamentos do passado. O tempo não para.
         Iniciamos bebês, depois crianças, adolescentes, jovens, adultos, velhos e... tudo isso se dá devido a ação do tempo. Mas... ainda que crianças, podemos ser adultos; ainda que jovens, podemos ser velhos; ainda que velhos podemos ser bebês. E nada impede ainda, que permaneçamos em uma só fase por toda a eternidade. Tudo irá depender das nossas construções mentais e opções.
         Quanto ao desgosto e a frustração, é preferível seguir a lei do tempo. Olhar para frente e seguir construindo novas expectativas. Bem, assim decido eu! Porque viver é se movimentar.

Patrícia Lima
06/05/2007

Esperança, a condução de Deus

A esperança é uma espera com vida, quando as luzes se apagam e não encontramos nada para tatearmos que nos leve a algum lugar, quando nos sentimos no meio do nada, sem sequer uma brisa que nos direcione, eis que surge a esperança, como o dedo de DEUS a nos conduzir.
A esperança não é palpável, não é certa, nem determinável. Na esperança não existem limites, nem metas, nem estratégias, nem objetivos. Não há planos organizados, nem fins predeterminados. Mas, ainda sim, a esperança não é um caos.
Na esperança há força, determinação, coragem e direção. Há sorrisos e aplausos, há vibrações e energia vital, há impulso e não inércia. Há movimento.
Como vaga-lumes na escuridão, assim é a esperança, porque ela brilha, sem alumiar plenamente. Como as estrelas no céu, assim é a esperança, porque ela dá a impressão de claridade, mas não clareia realmente.
 De fato a esperança é uma espera com vida. Porque enquanto nada acontece no mundo exterior ou real, enquanto em sua mente não há solução para os problemas, nem idéias para serem seguidas, ainda sim, algo lá no íntimo do ser diz que ele deve dar passos, simplesmente respirar e se movimentar, seguir...
  Porque lá na frente, em algum lugar, de alguma forma vai encontrar o que procura e o que precisa. Mesmo que na realidade não saiba ainda o que é. Por isso, a esperança é o dedo de DEUS que nos conduz.
  Assim, quando desfalecemos de tristeza, de repente surge a esperança, então nós levantamos, pegamos um ar, e prosseguimos nesta caminhada chamada vida. Onde não sabemos ao certo aonde chegar, mas de certo que chegaremos em algum lugar, é lá, que esta a solução.
  O mais incrível é que não é lá que esta a solução. Na verdade a solução surgiu com o surgimento da própria esperança. A solução é acalmar o coração enquanto esperamos os nossos olhos se acostumarem com o breu, até que possa enxergar tudo no escuro com o simples e singelo brilhar dos vaga-lumes, e enquanto isso, simultaneamente respirar, se levantar e se movimentar. E assim, durante a espera com movimento, a espera sem inércia ou a espera com vida, vamos construindo o nosso amanhecer e com ele virá o sol, e com o sol a luz, e com a luz a solução consumada.

Patrícia Lima