quinta-feira, 1 de julho de 2021


CICLO DA AMANTE

         Ele apareceu, e eu queria muito que desse certo. Então procurei ser gentil, entender as limitações da relação, ir com calma. Conhecer a família, agora?! Já?! Melhor não, vamos nos conhecer primeiro, vamos conquistar bem esse coração, solidificar a relação, e depois, tudo será perfeito. Estaremos tão seguros e apaixonados que nada vai ser obstáculo para nossa união.

         Vou estar alegre, positiva, bem-disposta e companheira, parceira. Vamos nos divertir juntos, vamos desfrutar de cada momento, sem ninguém para embaçar a relação, sem ninguém para dar mil opiniões, para se meter e colocar tudo a perder.

         Vamos ser só nós e decidir entre nós tudo o que vamos fazer, sem interferências, sem resistências alheias, sem influencias, sem ter que enfrentar ninguém, um paraíso, só eu e Ele.

         E assim, passou um mês, já temos história para contar, coisas aconteceram. Se passaram 2 meses... 3 meses... 4 meses, 5 meses, 6 meses! Ok! Tudo muito legal, mas parece que está faltando fazer planos juntos, construir algo, tornar esse castelinho mais estável. Vamos ficar juntos para sempre que tal?! Não seria maravilhoso!? Vamos nos casar!

         Então, até hoje não me apresentou a família, prefere não apresentar, diz que podem estragar tudo, diz que é melhor que deixemos as coisas como estão.

         Bem-vinda ao clube das amantes!

         Mas Ele não é casado! Não importa. Se você vive em um relacionamento no qual ninguém sabe que você existe, a não ser aquele amigo dele, aquele íntimo. Então você está nas sombras.

        A amante jamais será a esposa. A amante jamais terá filhos com Ele. Ele não faz planos de comprar uma casa com a amante, e decora-la a dois, e as fotos de viagens jamais ganharão repercussão nas redes sociais.

A amante não tem honra, e nunca terá, será sempre digna das migalhas. A amante se contenta com “quando der”, “hoje não”, “não te devo satisfação”, “pago essa, na próxima é você quem paga”, “encontrei outra pessoa, não faça drama, não te prometi nada”... e por ai vai... essas são algumas das frases que toda amante ouve em algum momento. Fora que ela sabe que “se precisar de algo realmente importante, e que possa exigir algum sacrifício dele, melhor não chamar, ele não tem nenhuma obrigação”.

Parabéns! Você ganhou o título de filha das trevas! Mas eu sou cristã! Não importa, pássaro que não voa, morre como galinha.

Não! O objetivo desse texto, definitivamente não é te ofender. E te mostrar onde você está, é colocar um espelho na sua frente para que você enxergue a sua atual posição.

MULHER QUE O HOMEM NÃO ASSUME, PARA A SOCIEDADE, É AMANTE! SEJA ELE CASADO OU NÃO. E TODA AMANTE, VIVE NAS TREVAS, ESCONDIDA, SEM LUZ, SEM HONRA!

Se um homem não puder se posicionar por você no início da conquista, no final é que Ele não fará. Mulheres que aceitam qualquer coisa, a cada proposta a oferta é menor.

Você vale o SANGUE DE CRISTO! Não é exagero, para que você hoje possa ser chamada filha de Deus, foi pago um alto preço pela sua vida, um preço de sangue. O seu corpo foi elevado a condição de TEMPLO DO ESPIRITO SANTO.

Quando você se submete a condição de amante, você está rejeitando o título de princesa, de filha do rei. Quando você se entrega sexualmente para um homem que não é seu marido, que não te assume, você está blasfemando o TEMPLO DO ESPIRITO SANTO.

A amante é uma mulher frágil psicologicamente, carente, sujeita a qualquer tipo de tratamento; é uma mulher que se contenta com pouco, que nunca recebe nada realmente de valor. Mas o pior de tudo, a amante não pode sonhar, nem sonhar ela pode, porque até isso ele a limita, ela pode tão somente fantasiar.

Os dias passam, Ele vai se desinteressando, o castelo de areia vai desmoronando, e agora, como resgatar aquela paixão de início? Vamos recomeçar, vamos restaurar o amor? Que amor?

Ele vai embora, e deixa de presente o vazio. A sensação de ter sido usada como um simples objeto, é como um perfume fedido, daqueles que você lava para sair o cheiro, mas não sai.

Não adianta mais, Ele se foi. Valeu a pena?! Era o que você queria? Bem-vinda ao clube das amantes.

Lágrimas, tristeza, raiva, depressão, desanimo, desamparo.

Agora é sacudir a poeira e recomeçar! Não existe absolutamente nada que justifique uma mulher livre e desimpedida, se relacionar com um homem livre e desimpedido, se sujeitar a estar com ele, escondida, como uma amante.

 Seja qual for a desculpa que ele apresentar, se ele não estiver disposto a enfrentar os seus dragões por ela, logo no início, ele não enfrentará depois de 3 meses, ou 6 meses, e se o tempo for ainda maior, então é certeza que que você tornou a entrar no ciclo da amante.

Quando um homem conhece uma princesa, e ele a ama, ou está apaixonado, ele enfrenta o dragão (família, amigo, sociedade, trabalho, religião etc.); porque ele vai fazer questão de mostra-la em público, como um troféu que ele ganhou da vida.

Quando um homem se sente atraído por uma mulher na qual ele a despreza por alguma razão, ele vai esconde-la, porque ele sente vergonha dela.

Se alguém não te enxergar como uma princesa, o problema não está em você, nem todo mundo é especialista em diamantes, alguns são apenas meninos, que acham que estão com uma pedrinha brilhosa na mão e simplesmente a atira para bem longe!

VOCÊ VALE O SANGUE DE CRISTO!

24/06/2021


 

 


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

REMÉDIO

-Qual a palavra?
-Preocupação! É um anseio do que pode dar errado, e como lidar com isso.
-O que te preocupas minha alma?
-Me preocupo com mil coisas, não cito para não lhe enfadar!
-Sei... poderia tu afastar essa preocupação?
-Sim, mas teria de abrir mão da curiosidade!
-Opa! Futuro interessante a vista... pode ser ótimo, ou não pior do que já foi um dia...Ah, se o lado bom, for mais intenso que o lado ruim que inclusive já experimentou, é melhor correr o risco que se amedrontar.
-É que tenho medo desse ruim ai... ele é um atraso de vida danado!
-Entendo... mas não te preocupes minha alma, que mal pode te fazer o homem se Deus é contigo?
-Ai é que ta! Se Deus é comigo... o homem não pode me fazer mal algum, sinto que Deus ta nisso, e percebo que Deus ta nisso, mas essa preocupação me trás dúvida!
-Pobre alma de pequena fé! Não sabes que não é para te preocupares com o dia de amanhã, pois cada dia já tem o seu próprio mal?
-Sim eu sei! Mas a preocupação parece mais forte do que eu!
-Isso é porque não te ocupas com o que é devido... isso é porque te permites esse sofrer...deveria te envergonhar de ser tão incrédula... mas... não julgo a tua fraqueza... tu tens história.
-Agradeço! Mas o que faço?
-Ainda me perguntas? Qual foi o nome do remédio que tomastes da ultima vez que lhe sucedeu isso?
-Gratidão! Vou tomar algumas gotas.
-Ora. Medica-te direito, beba dose dupla de compridos bem grandes.
-Sim... obrigada Deus, por essa maravilhosa oportunidade de vida que colocastes tão lindamente a meu dispor, obrigada por essa chance... obrigada, obrigada, obrigada, não sei nem como lhe agradecer...

10/10/2010                           02:44        Patrícia Lima

sábado, 4 de fevereiro de 2012

HOJE!

Ainda que eu falasse a língua dos anjos e dos homens e não tivesse amor, seria como metal que soa, ou como o símbalo que tine. Meu anjo de cabelos revoltos, enquanto o solo da guitarra embriagava minha alma, a doçura da sua voz me deixava lúcida. Nakupenda! Não se trata de amor Eros, nem Filos, nem Ágape, trata-se de amor que não tem nome.
É como se sentir criança e se alegrar com o presente, com o momento presente. Amanhã... não sei... mas a minha alma ficou tão alegre! Eu sei que é só um vento, não sei por que, mas sei! Me disseram que tenho alma de profeta, mas confesso que já me chamaram de bruxa também.
O fato é que tem fogos de artifícios dentro de mim! Meu anjo, você não esta só nisso, e muita coisa junta, tudo junto e misturado, vitamina de vida... hum...delicia! Mas esse poema é pra você, porque a alegria da esperança do futuro, causa certo medo e ansiedade, já você meu anjo, você e o frisson do presente. O sorriso do momento, o meu momento, esse momento, desse instante agora.

Patrícia Lima 19/08/2011



O QUE FAZER COM AS PEDRAS!

  
Um dia desses estava sentindo tudo tão vazio! Sei lá... o mundo parecia desabitado, sem razão, sem alegria, sem felicidade, sem vida, tudo parecia não ter sentido, não ter graça! Eu estava completamente sem animo. A comida não tinha sabor, as flores não tinham cheiro, o vento não era gostoso de se sentir, e os animais não eram engraçadinhos, eram na verdade seres estranhos, animados como robôs, como coisas que se movimentavam, pelas quais eu não devia qualquer respeito ou cuidado.
         Nesse dia eu não sentia vontade de caminhar, nem de sorrir, nem de falar, nem de olhar para nada. Nesse dia, tudo que eu fazia era realizado de forma vagarosa, desapressada, e sem vigor, como se eu pudesse matar o tempo, ou desperdiçar cada momento daquela existência inútil.
         Nesse dia eu duvidei de DEUS! Odiei a Bíblia, e todas aquelas histórias que me pareceram tão patéticas e absurdas, fruto de mentes mentirosas.
         Mesmo com o meu isolamento do mundo exterior, havia uma idéia estranha que rondava meus pensamentos me aconselhando a por um ponto final nesse desprezo pela vida. Essa idéia sussurrava baixinho: - Que tal o suicídio! Então eu ri dessa voz! Eu disse para ela: - fala sério! Sou curiosa, vou seguir essa jornada até o fim, e venha o que vier. E hoje estou aqui!
         Depois daquele dia, outros dias tristes vieram, e outros ainda mais tristes, e outros desesperadores. Mas eu continuei caminhando, cada passo, cada dor, cada desesperança... difícil foi esconder a tristeza dos amigos, difícil foi esconder a amargura estampada no meu sorriso forçado. Mas naqueles dias, ninguém ousou me consolar, foram dias de solidão e auto-reflexão, dias em que só havia eu... e eu... e até com Deus, eu parecia ter feito inimizade.
         Um dia eu avistei um Oasis, na verdade... era algo real, algo que me devolveu uma parte da alegria, mas essa emoção surgiu de forma desregrada, tudo ficou demasiadamente intenso e vivo e forte e iluminado e ... eu tive medo! Medo de perder aquela sensação, medo de que a vida pudesse novamente me dar uma rasteira, e tive medo da queda! E eu vivi cada momento com uma intensidade impar... em parte tudo era felicidade, em parte tudo era medo! Eu queria segurar cada minuto com minhas mãos e apertava cada momento com tanta força que aquilo se tornava um prazer doloroso. O medo de perder aquilo, me roubou a leveza de aproveitar o presente. Até que finalmente... eu perdi!
         Daí a desesperança foi no limiar da minha sanidade, mil perguntas rondaram minha mente! Eu queria entender onde havia errado, eu queria realmente entender... e eu me consumi dia a dia a fim de galgar essa compreensão. Até que me dei conta de que um ano havia se passado; um ano de perguntas sem respostas. E o desanimo voltou e eu revivia a dor que outrora eu achava ter me livrado, a história se repetiu.
         Lá estava eu... sem alegria, sem animo, sem prazer, sem vontade de viver. Mas... dessa vez... eu olhei para Deus, pois... quem mais poderia ter me resgatado da última vez... e dizia baixinho... – Pai... me leva hoje!
         Até que uma alma que eu conheço, uma alma que vivia imersa num caos parecido com o meu, e a qual todos sabiam das suas dores, diferente das minhas que de algum modo eu ocultava, me puxou pelo braço e me convidou a conhecer um certo “homem de Deus”. A contragosto, desenganada dessas “fabulas”, fui... devido a insistência daquele ser que eu julgava muito frágil. Ela me deixou frente a frente com aquele homem pálido e sem vida e se foi. Alguns minutos de conversa, e após uma singela oração, eu descia as escadas me despedindo... e pouco a pouco, a cada degrau o sol voltou a brilhar. Me recordo que ele falou: - existe o mundo físico e o espiritual, mas devemos ter cuidado, o que precisa saber é que JESUS TE AMA.
         Engraçado, JESUS TE AMA, achava essa frase tão patética e sem sentido, seria verdade, quem seria esse realmente... Sinceramente... eu não sei! Só sei que... eu tinha duas opções a fazer... continuar meus questionamentos... ou... simplesmente viver. Sabe... quando se esta imerso ao caos, a lei da sobrevivência fala mais alto.
         Mais um ano se passou! Um ano agora sem questionamentos, sem metas, sem expectativas, sem rumores de desejo de morte... um ano do qual eu passei a ver as cores novamente, e me deliciei com as coisas simples que sempre estiveram ao meu alcance, mas que as sombras da minha alma não me permitiram apoderar.
         Me deliciei com o lindo céu do entardecer, com o canto dos pássaros pela manhã, com uma bola de sorvete deliciosa, que era vendida muito barato, numa sorveteria perto de minha casa, era um achado! Com a água que massageava todo o meu corpo, enquanto eu nadava numa piscina pública de água mineral, na qual o acesso era fácil. E assim... também trabalhei... para receber depois... mas plantei!  E fui a igreja, e fiz amigos... e comi churrascos...
Contudo... tudo isso... ainda era uma forma de burlar a tristeza que em alguns momentos ainda se apresentava a mim, me acenando com a mão como quem diz: - Oi! Eu ainda estou aqui. Nesses momentos eu buscava ignorá-la, e dizia com minha alma, aquele Cristo que um dia me disseram que me amava: - até quando Senhor?
E... desse dia em diante... até que não demorou muito... E em um desses dias onde agente resiste sair de casa, e só um amigo muito insistente te vence... eu ... atrasada ... com cabelo anelado e unhas para fazer...tive um encontro com algo que poderia ser um novo Oasis, ou mais uma porta que só me faria trocar de cativeiro.
Engraçado... naquele dia finalmente... a tristeza chamada B.V.B.Z se foi...! E fantasiei, e delirei, como qualquer desafortunado que encontra um Oasis no deserto. E a alegria daqueles dias foi mais fantasia do que realidade. E cada vento do norte, parecia rumores de uma chuva de bênçãos. E a cada barulho ao fundo agitava-se em mim o anuncio da chegada de uma orquestra. E assim, dia após dia, eu esperei pelos fogos de artifício, dia após dia eu preparei a recepção daqueles convidados que nunca chegavam, vestida de roupas de gala, esperei alegremente!
O nome disso, é esperança... uma bengala para quem quer resistir  a morte, se chama Esperança! E assim, esse ano chegou ao fim, iniciou de forma despretensiosa, e terminou com uma nova visão, com um desejo de conquistas, com vontade de plantar, com sonhos, pois quem espera... espera algo!
Mas a realidade é algo que não fala, grita! E já no inicio do ano seguinte, a realidade gritou comigo de tal modo que eu rasguei minhas vestes, despenteei o cabelo, e puxei os forros das mesas de modo a derrubar talheres e pratos e disse: - basta! Dei-me caneta e papel que agora quero escrever essa história.
Daí surgiu uma vontade imensa de lutar por dias melhores... de dar um giro de 180 graus na vida, de gerar mudanças, novo horizonte, transformação, colheita de uma nova realidade. Então orei, orei, orei e orei mais muitas vezes.... e eu perguntava: - Como fazer tudo isso? E a resposta foi bem clara: - Faça diferente!
Então eu relacionei tudo o que eu costumava fazer no meu cotidiano, e decidi reescrever de modo inverso... se dedicava muitas horas numa coisa que achava que devia me dedicar, passei a dedicar mais horas no que eu gostaria realmente de fazer... ao invés de ouvir imposições alheias de como devia agir... passei a ignorar e ouvir meu coração, e os lugares que eu trabalhava, as pessoas com as quais me relacionava, a igreja na qual eu frequentava... rompi com tudo, exceto com minhas mechas loiras.
Foram atitudes cegas, pois, fechei portas sem a certeza de que outras iriam ser abertas, e até do Oasis sai... deixei-o para trás, longe apenas dos meus olhos.
De repente, coisas começaram a cair do céu! Objetos de fato que eu precisava ganhei de presente. E uma porta da esperança se materializou na minha frente quando recebi as chaves de uma sala para trabalhar, só a sala! E viagens e passeios missionárias os quais eu não planejei, e sequer imaginei que participaria.
E para mim... tudo isso ainda pareceu pouco! E eu permaneci orando... até que... logo no último mês do ano, quando eu completo aniversário, me chateei! Pois eu me vi impossibilitada de realizar alguns caprichos, que ano após ano eu desejava e não podia por falta de condições.
Então eu escrevi tudo isso num papel e disse: - Deus! Eu gostaria de realizar ao menos isso. E no mesmo mês, recebi uma proposta que caso eu tivesse disposta a aceitar, me permitiria realizar esses meus pequenos desejos. E não era lá uma proposta maravilhosa, resisti em aceitar... esperei que alguém dissesse não vá... mas todos diziam vá... Então eu disse sim! Disse sim como se fosse a grande chance da minha vida! E quem ouviu o meu “sim”, ficou tão feliz que também disse “sim”, e fui contrata em dezembro para trabalhar, sem a exigência de abandonar a sala!
Hoje em dado momento meu coração rompeu, e águas submergiram meus olhos até que lavou meu rosto e mãos. Era a saudade do Oasis que eu havia deixado para trás, então resolvi escrever.
Estou ansiosa para plantar! Mas... não consigo encontrar as sementes certas para o tipo de solo que eu tenho! Não sei ao certo o que plantar, mas quero plantar com pressa, pois quanto mais cedo plantar, mais cedo colher! Se eu plantar sementes excelentes, terei frutos excelentes! Se plantar o fruto certo, farei um bom negocio!
Sabe como se chama isso? Vontade de viver! E tudo começou com as pedras que foram lançadas em mim pela vida. Pedras que sem duvida nenhuma me machucaram, e que deixaram cicatrizes as quais o tempo amenizou a profundidade, mas não apagou.
Pedradas! podemos deixá-las no chão e continuar a caminhada, eu chamo isso de indiferença. Lançar de volta, eu chamo isso de revolta. Fazer uma forca, eu chamo isso de desistir da vida. Fazer um muro, eu chamo isso de isolamento, de medo de viver, de distanciar-se dos outros. Colocá-las num saco e carregá-las para sempre, chamo isso de amargura.
Observando tudo o que passou, penso que optei por acomodá-las debaixo de meus pés, isso pouco a pouco, porque posso ver algo além do que via, o meu campo de visão parece ter sido ampliado, acho que estou em cima de uma pequena montanha.
        
                                                                     Patrícia Lima
                                                                                     22.12.09


A REJEIÇÃO

        Porque me negas tão constantemente, e não permite o amor acontecer? Não me digas que não sou desejável, que sei que é mentira, pois seus olhos correspondem aos meus em sintonia.
        A vida é tão breve, somos como um vento impetuoso que demonstra o furor de sua existência, mas logo se vai... somos como a erva do campo que nasce pela manhã e no dia seguinte... já se foi, assim bem lembrou o salmista!
        Venha meu querido, vamos celebrar a vida juntos, pois o que mais nos resta? Não compreendo sua resistência em negar uma paixão tão latente, um amor tão vivo. Se não quer assumir um compromisso formal não me importo, pois não são compromissos e regras sociais que fazem com que de fato duas almas se unam.
        A sua ausência só não me leva ao desespero porque na verdade te carrego comigo a todo instante em meus sonhos, em fantasias, é tudo tão real que quando fecho os olhos posso sentir que me beija no pescoço e logo arrepio, meus lábios escorregam pelo seu corpo e me dá água na boca, sorrio, pois posso ver esses seus grandes olhos sorrindo para mim, só me falta o perfume. Procuro o seu cheiro, mas não sinto, daí entristeço, pois percebo que estas fantasias não são o bastante.
        Repiso mil vezes nossos encontros, eternizo em minha memória cada segundo que passo ao seu lado, será que mereço esse suplício?
        Não percebes que cada vez que me rejeitas busca matar o que me motiva a viver agradecida a Deus, por esse amor, feliz e empolgada na  esperança de um dia dormir e acordar em seus braços, com incansáveis noites de amor. Se não fosse essa esperança, creio que até da vida me desanimaria.
        Sei que vivemos um tempo passageiro, num mundo passageiro, em corpos passageiros, com uma vida passageira, sei que a cada ano a eternidade fica mais próxima, mas queria tanto passar esses meus poucos momentos em felicidade e por uma razão que só o amor compreende,  só ao seu lado a minha hora de vida ganha mais força e a minha existência resplandece com vigor inacreditável, é Deus me permitindo ser feliz aqui na terra por meio do amor.
        Não nos prive disso amor, mesmo sem você terei que passar pela vida, mas ela não será tão brilhante quanto seria se estivéssemos juntos.
                                                       Patrícia Lima Ferreira
27/03/2008
Escrita ao son de arioso, BACH.

Em homenagem a todos aqueles que um dia se apaixonaram fortemente e creram ser correspondidos, no entanto em algum momento foram rejeitados e não conseguem compreender a razão disso, pois ainda crêem num amor, que de fato só não ocorre porque rejeição é um fato.

MEUS OLHOS E A GUERRA

É bom sorrir! É prazeroso dar boas gargalhadas, quando se esta entre as flores, quando os filhos estão seguros, quando a geladeira esta cheia, quando a conta bancaria não esta fazia, quando nas ruas há flores.
Mas não me cobrem sorrisos em meio a guerra! Eu bem que gostaria de rir, bem que gostaria... mas pedaços de mim estão dilacerados em meios aos escombros, local do enterro dos meus mortos.
Querem me ver de cabeça fresca? Não aceitam a minha fúria? Não entendem o meu desapego pela vida? A vida jorrava de dentro de mim, no sorriso dos meus filhos, nos olhos faceiros da minha esposa, no cheiro agradável da comida da mãe, na gritaria das reuniões familiares... A vida jorrava de dentro de mim... Mas... as lembranças desses tempos não são o suficiente! As lembranças são as sombras, somente as sombras do que um dia era vida!
Agora se eu mato, ou se eu morro... já não importa, meu desejo é apenas afogar a dor, e me lançar na guerra, para trazer na morte, algum sentido para essa aparente vida! Vida que me desgosto, vida que me sufoca, vida para vocês que me observam, porque para mim... estou tão perdido! Aqui, o louco é normal porque não nós preocupamos com a loucura aparente, porque tudo isso já se tornou em loucura, se acostumar com o barulho das bombas, das balas, dos choros, uma guerra incansável. Tudo isso já é loucura!
Quando olho desolado para meu povo, não é pai, nem irmão, nem tios, ou primos, não é filhos, ou netos... mas é como se fossem, porque vejo em seus semblantes a minha mesma experiência de dor, e nos tornamos um pela dor.
Por eles ainda escrevo, porque alguns ainda tem preservado espaços sem ferimento, e nas crianças ainda há esperanças de mentes sãs... Para que viva ao menos a memória, digo. – deixem-nos em paz!

Texto inspirado em fotos de guerra no Libano!
Patrícia Lima Brasília, DF 04/02/2012

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A REVOLTA

O que consome e ao mesmo tempo gera a energia da alma. Força constante; determinada e geradora.
Revolta, o nome soa como revolução, rebeldia, as vezes discórdia, tumulto, angustia, raiva. Mas também pode ser rompimento, novo tempo, mudança, transformação. Porque não atitude?
De repente uma situação geralmente negativa começa a se repetir, e a partir daí se intensificar, e com isso os sentimentos vão se unindo até eclodir numa grande explosão geradora chamada revolta.
Revolta, palavra que trás uma agitação interior, a lembrança de movimentar de tumulto, de pessoas caminhando de forma desordenada trombando umas nas outras. Ou quem sabe de uma atitude grosseira, repentina, as vezes até inconseqüente.
Mas enfim, o que seria do mundo sem a revolta, sem esta eclosão geradora? Geradora sim, porque onde há harmonia, correspondência, sintonia. Não há situação negativa o suficiente capaz de se intensificar e eclodir numa revolta. Assim, se a existência do homem fosse envolvida por harmonia, não haveria força o suficiente para a geração da revolta.
Então, mais uma vez é necessário nos perguntarmos o que seria do mundo hoje, se não fosse a revolta? Na verdade o planeta hoje já vive em parte sem a revolta. E assim, estagnados diante das dores e das mazelas, pacificamente assistimos a instalação do caos.
Preocupamo-nos com as boas maneiras, com a política da boa convivência, nos deixamos dominar por este pacifismo sem eloqüência, por esse pacifismo que na verdade tem gerado mais ódio e dor, do que amor e satisfação.
Vamos sendo pacíficos diante da fome sem necessidade, do analfabetismo pela falta de boa vontade, da pobreza por excesso de egoísmo, das guerras fruto da ganância e do orgulho de alguns.
Façamos um clamor a revolta, que venha a revolta, venha revolta. Venha gerar esta mudança necessária.
Saibam que não precisamos chamar pela revolta, ela já esta se formando com todas as situações negativas que o mundo nos oferece. A revolta já esta a porta. Mas ela ao chegar não irá bater, nem pedir licença, irá eclodir. E com isso vir, virá a dor sim, porque a revolta trás consigo rompimento e esse rompimento faz nascer um novo tempo fruto da mudança que a transformação das emoções negativas fizeram nascer com a energia advinda da revolta.