segunda-feira, 25 de outubro de 2010

CHEIA DE DOR

          
         Hoje o sexo tem sido banalizado. As pessoas são vistas como mercadorias, até por elas mesmas. Uns dizem:- olha eu tenho pernas grossas, outros dizem:- tenho músculos bem definidos: umas dizem:- sou bem empregada e até que não sou feia. Outros dizem ganho tanto por mês.  Enfim, a apologia ao corpo é uma forma de vender e comprar, e um ajuste de vontades, e quando os dotes físicos não podem mais servir de moeda de compra, então se passa para o dinheiro em espécie mesmo. Não se busca conhecer a personalidade, nem o caráter. Não se busca unir as afinidades. Não importa fazer o coração doer, sentir um suspiro mais profundo, ficar com as mãos tremulas, e ter a sensação de que a sua vida acabou de começar. Agora, analisa-se o desejo por si só. Ainda que ele não exista no momento. Olha-se para um corpo, como para um prato de um restaurante. Come-se com os olhos primeiramente, sente o prazer por analogia ou pura e simples imaginação. Depois se analisa o valor que cada prato pede, e o preço que você esta disposto a pagar. Enquanto isso, o coração vai ficando cada vez mais frio, pois objeto não tem sentimentos, apenas utilidade, e muitas vezes essa utilidade tem vida curta.
É mais fácil se apegar a carreira profissional, se apegar aos bens adquiridos, ao bicho de estimação. Porque estas coisas parecem mais estáveis, você sabe que para manter-las com você basta um esforço pessoal. Ninguém quer se arriscar a sofrer, se arriscar a dizer aquele antiga frase dos apaixonados, quando decepcionados, ou mesmo quando vivenciando algum mal entendido na relação: -Infeliz, eu fiz tudo por ele(a), dediquei a minha vida, entreguei meu coração - Parece letra de novela mexicana- mas quem foge dessas paixões, para viver relacionamentos que não atingem o coração. Se guardam das lagrimas é verdade, mas também se guardam das emoções.
A loucura dos tempos modernos é tão grande, que a corrida em relação as novidades do mercado, está entrando na esfera dos sentimentos. O que reforça ainda mais a idéia de que as pessoas estão sendo vistas como mercadorias. Quantas moças e rapazes, não se desfazem de um relacionamento cheio de amor, e cumplicidade, tão somente pela curiosidade em experimentar o novo? Não se busca mais a cara metade, se busca agora, pedaços de alguma metade.
 Em uma você encontra os olhos, noutro você encontra uma bundinha perfeita. Uma é legal e engraçada. O outro é rico e bem sucedido. A próxima tem muitas amizades influentes, o seguinte tem uma ótima família. A da semana passada beija bem, o da semana retrasada faz um sexo gostoso. Uma é estudada, outro tem bom emprego, uma é bonita, um outro é charmoso, uma chama a atenção dos amigos, o outro é amigável com todos. Mas... com quem ficar? Oras, que pergunta mais insana, com todos, ou seja, com nenhum. Este é o prazer da mercadoria, nunca basta, nunca supre, sempre mais, mais e mais....nunca é, e nunca será o suficiente, porque o mercado sempre tem mais para oferecer.
Vamos às compras? O que você deseja para hoje? Ou melhor, o que você está podendo levar hoje? Quanto ainda te resta?... Agora vamos para o outro lado da faceta. Quanto você está custando? A mercadoria que você está vendendo é boa mesmo? Não..., acho que não vou levar..., encontrei uma oferta melhor, obrigada.
No troca – troca, ora você sai com a vantagem, ora não. Mas e no fim, será que você sairá no lucro? Será que isso tem fim? Perguntas simples, as quais revelam que os relacionamentos estão cada vez mais escassos, a demanda é para a relação de mercancia, para uma negociação.
 Isso tudo é revoltante, pois o homem ganhou o direito a vida, e se sujeita a ser algo morto. O que revolta mais ainda, é saber que os que optam por terem vida, não sabem a princípio quando estão sendo vistos como seres vivos, ou quando estão sendo visualizados como mercadoria. Para os brutos, não faz diferença alguma, pedra lascada não sente dor, mas... machuca.
07/04/06
Patrícia Lima






terça-feira, 12 de outubro de 2010

A ESCURIDÃO DO ILUMINADO

     Um inimigo inteligente e experiente aprendeu a melhor maneira de destruir um ser nascido para o sucesso.  Ele o rodeia porque sabe do seu potencial, a sua primeira estratégia é confundir o ser maravilhoso, para que este não se atine para o próprio brilho que emana.
O inimigo é sagaz, sabe que não conseguirá esconder por muito tempo a luz do iluminado, então inicia uma serie de experiências na tentativa de descobrir como destruir por completo aquela vida, antes que ela comece a desabrochar. Depois de inúmeras tentativas e observações ele percebe uma pontinha de fraqueza naquele ser, e começa a investir naquele ponto. O ser atacado não percebe de pronto que esta sendo atacado, mas sente que seu vigor não é o mesmo, logo compreende que está perdendo força. Então o ser iluminado fixa sua atenção para aquela fatalidade em sua vida, é toda a sua alma se volta para aquele problema, condensa suas energias na tentativa de vencer o mal que lhe sobrepõe. Mas, percebe que é inútil, aquela brecha em sua vida, parece sugar toda a sua energia.
O ser antes iluminado se vê entenebrecido, o seu mundo perde o colorido, ele não vê outra saída que não aceitar que perdeu. Busca a piedade do seu inimigo invisível, mas este se ri dele e inicia a segunda etapa do plano, cegar o iluminado até que a morte alcance a sua vida, e o mesmo pereça, antes de brilhar. O inimigo faz o iluminado olhar intensamente para o seu problema, e vê-lo cada vez maior.
O ser então, se fecha e se esconde, toca na própria ferida é lamenta a sua sorte. Fecha a face e se faz infeliz, como quem clama por misericórdia, como quem pede por socorro, tenta refrescar a sua alma como um mendigo pedindo pão. Então o tempo começa a correr, e o inimigo começa a comemorar, essa será mais uma vitória alcançada! Parece que sim, o ser tenta reagir, mas não acredita na cura, olha para os lados, mas não enxerga a saída.
O ser tão iluminado que é, não percebe a sua luz. Olha para si mesmo e enxerga um fracassado, a sua alma se vê desiludida, desenganada. Então...Vem o tempo, e enfim leva o ser, como leva tudo um dia. Acabou! O inimigo é de fato muito inteligente, bastou ressaltar a fraqueza do iluminado para que este se alto subjugasse inferior e assim, não dê inicio a sua caminhada. Deixando apenas a existência carregá-lo para a morte.
Fato é que só foi tocado num pontinho, mas foi levado a acreditar que aquele ponto era tudo. Aquele pontinho de fato existia, mas todo o restante era luz, como o iluminado se deixou levar tão facilmente por aquela questão? Como pode um iluminado ser tão cego de si mesmo?
Que fatalidade não! Mas é isso mesmo, assim aconteceu com este iluminado, é acontece todos os dias, com muitos iluminados. Pessoa cheia de potencial cheia de energia, que de repente não aceitam mais serem vista como luz, só porque em determinado momento de sua vida a treva o alcançou, oras, as trevas sempre alcançaram a luz, mas jamais prevalece sobre ela. Onde entra a luz as trevas perdem o espaço. Mas para que isto aconteça, a luz precisa se impor. Precisa decidir brilhar, necessita saber que é luz, e não ficar esperando que uma outra luz se faça presente, afinal, qual proveito há em acender um sol do lado de outro sol?
Esta é, pois a maneira que o inimigo encontrou para destruir um iluminado. Fazê-lo crer que ele não é iluminado, aja vista que tem um problema, que tem uma falha, como um iluminado teria assim uma falha? Logo não é o iluminado. Na verdade, o iluminado sabia que era luz, mas perdeu tanto tempo dando atenção a sua fraqueza, que se esqueceu de brilhar, então o tempo passou é lhe tirou a vez.
Iluminados!!! Prestem atenção: um espinho na carne, trás de fato uma dor, mas se esta dor está dentro do seu limite de suportabilidade, então faça com ela apenas o necessário, suporte-a, no mais, se permita viver sem dar tanta importância para a dor, assim, você terá o prazer de enxergar o brilho da sua própria luz, porque este brilho é inevitável, é sempre existiu e existirá em toda a sua jornada.
A vitória do inimigo não esteve em evitar a sua luz, porque está façanha não é possível. A vitória do inimigo foi destruir a visão do iluminado para que este se prendesse em acreditar ser um fracassado é perdesse a chance de se guiar com a própria luz que emana.

                 Patrícia Lima

sábado, 9 de outubro de 2010

A RAINHA VIRGEM

         Rainha Elizabeth da Inglaterra, a rainha virgem e protestante. Elizabeth reinava num trono que não era propriamente dela, a sua prima era a rainha legítima, na linha sucessória do trono. Para Elizabeth permanecer no trono deveria se casar e constituir um herdeiro. No entanto, Elizabeth não conseguia escolher nenhum príncipe, pois buscava apaixonar-se, era a única forma pela qual se submeteria ter um Senhor.
         Enquanto Elizabeth era pressionada a se casar, envelhecia, e paulatinamente ia perdendo também a fertilidade. Conta-se que não era muito vigorosa, sempre adornada com perucas, meio Calva, mais ainda sim, a alma de Elisabeth era inegavelmente linda!
         A Espanha queria o trono de Elizabeth- de maioria católica- se viam como filhos de Deus, e Elizabeth, filha da escuridão, por guiar-se ao protestantismo. Mas a bandeira católica da época, possuía as marcas da “Santa Inquisição”, julgavam-se os “guardiães do evangelho”, aqueles que podiam e deviam matar e torturar em nome da fé. Acredito que entre estes filhos de Satã havia homens sinceros, que se calavam diante do desconhecido e se submetiam a aceitar certos preceitos que embora lhe cortassem o coração, dentro de uma visão medíocre de si mesmos, em acreditar serem meros vermes diante de todos os mistérios de Deus, matavam e morriam “em nome de Deus”.
         A Espanha planejou astutamente uma guerra impiedosa, e para tanto, empregou navios, homens, e armas. A Inglaterra não detinha tanto poder, entre os ingleses haviam católicos, alguns munidos por um sentimento de fé também intentavam contra a vida da Rainha. Mas ela não os forçava a abraçar o protestantismo, ciente que a fé é inspirada na liberdade de consciência.
         Diante de conspirações, os espanhóis e alguns do alto clero católico fomentavam no coração de sua prima que matasse Elizabeth, assim, aquela tomaria o trono que de fato era seu por direito. Diante de uma estranha conspiração, Elizabeth sofreu um atentado, num desses dias em que ia ao templo orar um certo homem entrou porta a dentro com uma arma nas mãos e apontando-a para Elizabeth atirou. Mas... só ouviu-se o barulho da pólvora, a arma estava sem munição. Elizabeth se salvou, e a prima foi condenada a forca.  Assim, a Espanha encontrou razão para levantar-se contra Elizabeth, e a guerra foi declarada.
         Elizabeth consultou o astrólogo da época, que usou de sabedoria, mas não de mentira. Ele disse que um reino iria sobrepor-se, e que vinha a grande batalha. Elizabeth temeu, mas munida da coragem que só o Espírito Santo dá, Elizabeth enfrentou a guerra. Disse ao povo: precisamos vencer, do contrario, será o fim da liberdade de pensamento. Vamos lutar e no fim nos encontraremos, seja no campo da vitória, seja no reino celestial.
         Assim, tudo dizia não a Elizabeth, uma rainha que não conseguia casar nem ter filhos, uma rainha protestante num reinado de metade católica, com pouco dinheiro, pouco armamento, e ainda, possuía um trono usurpado. Tudo dizia não a Elizabeth. Mas os ventos sopraram a favor da Rainha, e a Inglaterra venceu. A Espanha recuou vergonhosa, pois havia perdido uma guerra onde tudo lhes parecia favorável.
         Elizabeth não se casou. Mas disse, sou eu mesma, mãe de meus súditos, mulher de meu Senhor Deus!
         Elizabeth governou um país! Enfrentou uma guerra! E mesmo diante da sua aparente fragilidade não fugiu, nem se submeteu. Não se submeteu aos gritos espanhóis que diziam: - O seu país será dominado; Não se submeteu as pressões de seus conselheiros que diziam, case-se Elizabeth, com um rei qualquer que seja, mas dei-nos um herdeiro.
         Hoje, nossa guerra é espiritual e por muitas vezes fracassamos, cantamos: - O meu Deus, e o Deus do impossível. Mas nos rendemos a falta de emprego, a falta de dinheiro, a falta de um relacionamento sexual, a falta de uma posição social. Muitas vezes vendemos a nossa Coroa celeste por menos que um prato de lentilha.
         Penso que os cristãos que foram mortos ao longo da história do cristianismo, os quais em apocalipse consta que estão continuamente diante do trono de Deus clamando por justiça. Creio eu, que muitos intercederam por nós pedindo: “Senhor, pai de misericórdia, que nem todos precisem sofrer tantas chagas na carne como prova de amor por ti, que nem todos sejam enforcados, mortos, queimados e esquartejados. Permita que desfrutem da oportunidade de dizer apenas SIM, EU ACEITO JESUS, e deixe que eles possam demonstrar o grande amor por ti, com atos de fé que envolvem as questões cotidianas, como casar, prosperar, e ter saúde”. Assim, como era trabalhado no coração dos Judeus, quando a graça da salvação para os gentios ainda era apenas um plano que Deus guardava no coração. Então, acredito que Deus disse: SIM!
         E hoje, ao menos aqui no Brasil, podemos dizer: EU AMO JESUS, EU SOU CRISTÃO! Sem que essa declaração nos sujeite a dores e castigos. E assim fazemos. Mas...em nada nos abstemos de pagar o preço pelo amor a essa fé!
         Quantas vezes dedicamo-nos aos estudos... sempre na confiança de que quando tiver carros e cavalos, combaterá um bom combate, com recursos próprios, não precisará a todo instante viver pela fé, aos menos no que tange ao dinheiro. Cremos que Deus fará multiplicar o pouco de azeite da nossa botija e assim poderemos fazer a obra. Orfanatos, casas de recuperação, dinheiro para viagens missionárias....etc... Hoje aqui em Brasília, poucos não gostariam de exercer um excelente cargo público! Status, certo poder... “coisas que sempre achei medíocre, fruto da pura vaidade humana, tola, pobre e imatura”. Por obvio que não há nada de errado estudar e buscar um bom ofício. De fato é difícil encontrar um oficio que realmente nos faça sentir que estamos cumprindo a nossa missão nessa terra.
         Mas... é preciso “cair na real”, ou melhor – enxergar a realidade-. Observo, como nossos sonhos são infantis e imaturos! Não é o emprego, não é a liberdade que o dinheiro pode proporcionar, não é o ofício “x” que vai desempenhar que irá lhe propiciar servir a Deus, com todo o zelo! É apenas o, EU SOU, que propiciará isso.
         Faça o que esta ao seu alcance; o que sua visão limitada pode ver! Mas...tudo pode se tornar em nada, ou melhor, esse nada, pode continuar sendo nada, se Deus não intervir! Não é o cargo que vai mudar sua vida! Embora de certo modo, muitas mudanças podem vir com isso. Mas o que pode realmente mudar a sua vida dando a ela a punjância que sua alma necessita... somente o “EU SOU” pode!
         Elizabeth, conhecida como a rainha virgem! Só ela sabe o que isso representou, ela, que buscava um amor...não teve, pois o único príncipe da época digno dessa Rainha, estava num reino muito distante, o qual ela só atingiria se vencesse a morte. Cristo! E por fim, Elizabeth decidiu por esperá-lo.
         Muitos de nós, quando desafiados a esperar por esse príncipe, negamos a fé... declarando que “a carne e fraca”. Não precisamos nós submeter a dor, só é necessário se abster de sentir certos prazeres... de forma inoportuna em tempo inapropriado. Se não agirmos assim, que grande vergonha! E ainda temos um exercito de testemunhas desse nosso fracasso.
         A castidade, a honestidade, o tempo dedicado a obra, o freio ao orgulho, a vaidade, a soberba, a avareza..., não são ações de medo... religiosidade... submissão a ditames humanos... fé cega, ou coisas do tipo. São na verdade manifestações da mais sincera devoção ao Cristo, do mais puro amor as almas, da grandiosa força da fé em nós, que faz brotar, nascer e florescer os frutos do espírito em nossas vidas.
         Pois somente conhecendo o evangelho, não apenas de ouvir falar, mas como uma fonte que brota de dentro. Somente amando as almas as quais Cristo nos compele amar, somente amando verdadeiramente a Deus com toda nossa alma, força e entendimento, somos capazes de vencer a batalha mais difícil que temos a travar, aquela que não nos imputa medo, mas nos enfraquece. A batalha com a nossa própria carne.

Patrícia Lima
Texto inspirado no filme: ELIZABETH!

A PROVA DE FOGO


Estou ansiosa, quero te agradar, quero não errar, quero que não tenha queixa a meu respeito, e ainda, que não se chateia com minhas atitudes. Quero que me ame, que me veja como essencial. Que sinta felicidade em estar ao meu lado. Quero ser aprovada por ti! Simplesmente porque quero estar ao seu lado, porque você me faz sentir o que eu queria que sentisse também...
Mas... tenho medo desse querer que te coloca numa posição que pode me rejeitar..., e nesse desespero...te confronto, te esnobo, te rejeito... te renego... Tudo poderia ser mais simples... se não fosse essa paixão, a qual não encontro correspondência, a qual é tão incerta e instável...
Cada atitude minha em sua direção é repensada em múltiplo... e após a consumação... ainda encontro falhas e falhas...
Essa preocupação exagerada... esse medo excessivo.... essa necessidade de auto-afirmação é paralisante... e consome minhas energias... eu fujo disso, mas te carrego no meu coração... e isso pesa, e enfraquece a força do meu passo, pois um lado meu quer distância de você, o outro aproximação.
Nesse modelo de vida já fugi bastante, sei que fugi... mas não deu certo... a sua sombra me persegue... você esta sempre na minha presença, na minha mente, quando adormeço, quando desperto... Você não esta na posição de Senhor, mas o Senhor tem permitido que meu coração esteja cativo a ti... e isso não tenho como negar... há uma corrente que me liga a você, é uma corrente de sentimentos...! acredito tratar-se de paixão...pode virar amor...pode virar amizade... pode virar desprezo... mas...preciso passar essa corrente no fogo, preciso do confronto, da prova... para descobrir do que se trata realmente.
Confesso que tenho medo! O fogo arde, o fogo machuca, o fogo consome, o fogo destrói, o fogo revela... o fogo é a nossa convivência... no dia a dia... a prova é realizada.
Eu queria te agradar... me mascarar se fosse preciso, me fantasiar, fazer estripulias, me esforçar ao máximo para te ganhar, mas nessa prova de fogo ninguém é poupado, eu não consigo te poupar do meu verdadeiro eu, porque sou muito sincera... vou lhe dar o meu pior... e receba o meu melhor.

Patrícia Lima 05/10/2010

A DEPENDÊNCIA E A ATRAÇÃO

Hoje me deu uma tristeza estranha… é como fazer uma plantação e apesar de estar feliz pela conquista não saber se a planta vai crescer... porque não se conhece a terra, nem a qualidade da semente. É uma expectativa de felicidade, misturada com o medo de uma possível decepção.
É como receber uma noticia de que algo bom poderá acontecer, daí a questão é que poderá não é! Eu preciso espantar essa tristeza! Ela não vai me levar a nada!!!  A fé é a certeza das coisas que não se vê... EU TENHO FÉ... que Cristo me ama, e quem ama busca o melhor para a pessoa amada... e assim CRISTO É A RAZÃO DA MINHA ALEGRIA!!! Não importa as circunstancias, não importa o túnel escuro e estreito, não importa se as luzes estão apagadas... vou me alegrar porque tenho um guia fiel, que cuida de mim, e que não vai deixar eu me machucar... enquanto estivermos de mãos dadas.
As vezes mesmo crendo em Deus nós machucamos... daí eu pergunto... porque? Eu não posso dar uma resposta exata, porque sei que cada pessoa precisa de passar uma experiência diferente para depois se alegrar com Deus, ter comunhão com ele, mas posso dizer de mim... das minhas experiências mais recentes...
Só existe uma forma de um cego se sentir seguro ao caminhar... ou ele já conhece bem o caminho, ou confia em alguém. Certas questões da vida são impossíveis conhecer o caminho, ou melhor... muito difícil, digo as coisas relacionadas ao futuro... qual a melhor carreira? Qual o melhor amor...? Enfim... Tem coisa que agente só descobre quando vive o fato! E as vezes esse dilema pode ser um pesadelo... e dizemos, nós os cristãos, que Cristo é a nossa luz.
Mas e quando nos machucamos? Eu digo por mim... que em alguns momentos caminhava eu no escuro, amedrontada mas firme, porque de mãos dadas com Cristo, mas... caminha pra lá... pra cá... em algum momento eu solto as minhas mãos da dele, e penso... ah... vai dar tudo certo... porque mesmo não me guiando, ele esta me olhando... e daí eu tropecei, ralei o joelho, outra ora bati com a cabeça e me fez aquele calo na testa... enfim... eu chorei revoltada com o Guia... e ele... me consolou, mas a dor foi inevitável.
Hoje eu vejo que eu não deveria ter soltado a minha mão da do Cristo, essa foi a causa da queda e etc... Oras, de fato ele me olhava, e de fato evitou que um carro me atropelasse, evitou que eu caísse de um precipício, evitou que eu cortasse o pé com vidro ou outras coisas incorrigíveis e de conseqüências insuperáveis, mas o arranhão foi consequência do meu desejo tolo de independência.
É claro que queremos ser auto-suficientes, e isso não é pecado, ou é pecado querer caminhar com os próprios pés? Será que Deus nós quer totalmente dependentes? Será que queremos que as pessoas que amamos sejam eternas dependentes de nós? A dependência as mantém ao nosso lado, mas não seria um egoísmo nosso desejar isso, não é mais justo que elas possam decidir onde ficar não por falta de opção, mas sim por escolha?
Sim... penso que sim... mas como é duro ver alguém que amamos fazer a escolha errada, pior ainda, é quando poderíamos tê-la mostrado o caminho melhor para essa pessoa, mas não pudemos, porque ela não deixou.
Cristo... pegue na minha mão e me guie... vou caminhar tranqüila enquanto segurar na sua mão, e não temerei o mal que me possa fazer o homem, porque tu estarás comigo, e após passar por esse túnel escuro...ainda que eu veja uma luz lá no fundo, não solto a tua mão, só te peço.. me ajude a segurar firme, porque as vezes minha mão enfraquece, mas ainda sim... não me deixe te soltar... digo isso, porque sei que tu mesmo jamais me soltaria... e após atravessar o vale da sombra da morte... caminharemos lado a lado... e não mais te seguirei porque me conduz, mas sim, porque me atrai. Amém.
10/10/2010 00:30
Patrícia Lima

sábado, 18 de setembro de 2010

O GERADOR DE DÚVIDA

          Antes de iniciar com este texto, faz-se mister esclarecer que o silêncio aqui tratado é aquele advindo com a ausência de todos os meio de comunicação.
         Silêncio! Em certas ocasiões, não existe grito mais alto que esse. Doe os tímpanos de tão alto, agride o coração, fere a alma, literalmente assusta. Quem pode com ele? Tão simples, mas...de reflexos tão complexos.
        Silêncio! Tão sonoro é incrivelmente sem sonoridade. Quem decifrara este enigma? O silêncio escreve uma história sem usar as letras. O silêncio é a forma de comunicação sem palavras. Diz até mais que mil palavras, escritas ou faladas. Uma forma de comunicação sem meio, sem condução. Há apenas o interlocutor e o receptor, nada mais que faça um elo entre um e outro.
          Os homens se comunicam muito pelo silêncio. Quem nunca experimentou esta comunicação nos momentos onde as palavras perdem a validade. Onde não há mais nada a se dizer! Onde a coragem não chega! Ou até mesmo, onde a emoção não deixa que as palavras fluam.
           O que tornaria possível esta comunicação? Seria a alma, ou o espírito? Seria a consciência ou apenas uma intuição? Seria um fluído de pensamentos, ou simplesmente a capacidade de percepção? Quem sabe não é um estado de transcendência? Não importa a denominação dada. O que interessa, é o seguinte fato: - O silêncio fala!
          O silêncio é uma comunicação paradoxal. Porque a mensagem da sua comunicação se eterniza por uma sucessão de dúvidas, nascidas de uma certeza. Senão vejamos breves exemplos:
         O filho silencia, com o pai, porque pensa que este está decepcionado demais para ouvi-lo. A certeza é que o pai esta decepcionado. As dúvidas são: Será que o pai o ouviria depois de tamanha decepção? Será que se falar com o pai, o mesmo o entenderia? Será que para resolver o problema uma conversa bastaria? Será que o pai tem razão? Será que falar com o pai seria o mesmo que assumir o erro? Será que realmente ouve um erro?...
         Em contrapartida, o pai silencia com o filho, porque está decepcionado. A certeza é que está decepcionado. A dúvida é: Será que esta atitude revela que o filho não se interesse mais em ouvi-lo? Será que o filho precisa ficar só, é refletir sozinho no assunto? Será que o filho estaria preparado para uma conversa? Será que o filho teria o interesse de se explicar? Será que o filho pretende mudar de atitude? Será que o filho realmente agiu mal?
         A amante briga com o ser amado e sai sem dizer palavra alguma. Ela silencia com ele por entender que este de fato a magoou, e em conseqüência disso a afastou de sua presença. A certeza é que ela se afastou dele. A dúvida é: será que ele a magoou para afastá-la dele? Será que ele agiu desta forma porque não a amava? Será que ele realmente pretendia magoa-la? Será que se ela o procurasse ele estaria interessado em falar sobre o assunto? Será que ele teria algo para falar? Será que ele compreendeu a sua atitude de se afastar? Será que ele quer que ela permaneça afastada? Será que se ela o procurasse este assumiria que a magoou? Será que ele se arrependeu? Será que ele enxerga o próprio erro? Será que ele estaria disposto a agir diferente? Será que vale a pena procura-lo?
          Em contrapartida, o amante sabe que magoou a sua amada, é por isso ela se afastou dele. A certeza é: ela se afastou dele. As dúvidas são: Será que de fato ele a magoou? Será que aquela ação seria realmente o suficiente para afastá-la dele? Será que ela não se utilizou de uma desculpa para enfim deixa-lo? Será que a magoa que ela nutre em relação a ele é o suficiente para não aceita-lo mais? Será que ela o entenderia se ele fosse se explicar? Será que ela merece alguma explicação? Será que ele quer dar alguma uma explicação? Será que ele deveria procura-la?...
         O que ocasionou tantas dúvidas foi o silêncio. Um gerador compulsivo de palavras, de frases, de entendimentos. Tão primitivo, e tão cheio de simbolismo. O silêncio é o vestido da ausência, ao mesmo tempo que é o companheiro da presença. Pois os possíveis significados do silêncio estão a todo tempo se fazendo presente.
         A utilização deste poderoso meio de comunicação deve ser metodicamente estudado, pelos que dele se utilizam. Posto que, o silêncio, assim como as palavras, nós leva a um caminho. No entanto, as palavras ainda que possam ser duvidosas nos conduzem a uma certeza. Enquanto o silêncio, ainda que seja certo, nos conduz a muitas dúvidas.
          Mas enfim, o silêncio não é uma estrada tão escura assim, porque uma coisa é clara: ele causa a separação física entre os que se comunicam. E esta separação tem uma conseqüência simples, qual seja, a não interação.
          Muito embora, o silêncio pareça ser uma abstenção de atitudes, uma ausência de escolhas, ele na verdade é uma escolha. Mas que escolha seria esta? Depende da representação. O silêncio pode ser a escolha pelo orgulho (em não dar o braço a torcer numa decisão), pelo desconhecido (quando se prefere esperar por uma opção melhor), pela sorte (no caso de não se ter certeza do que se quer realmente), pela covardia (quando temos medo do resultado da conversa), pela malícia (quando com ele queremos gerar uma situação), pelo desanimo (quando não acreditamos que as palavras irão surtir efeitos), pelo ódio (quando buscamos ferir) e entre inúmeras outras possibilidades pasmem; que até pela escolha do amor (quando acreditamos que o mesmo terá conseqüências positivas).
        Mas o fato é que até mesmo as representações do silêncio não passam de especulações. Porque lembre-se: o silêncio e o gerador da dúvida. E a dúvida é o arcabouço das possibilidades.
        Escolher pelo silêncio e o mesmo que escolher pelas possibilidades. No entanto, a possibilidade é muitas vezes uma situação de estacionamento. Visto que, quando escolhemos um caminho, ele pode gerar inúmeras conseqüências. No entanto, quando não escolhemos caminho algum, estamos diante de infinitas possibilidades, que não geraram conseqüências, até que seja realizada alguma escolha. Mas, não esqueçamos do tempo, porque este, não quer saber se você esta estacionado ou não, ele passa e te carrega nem que seja guinchado. De maneira que o tempo acaba por aniquilar toda a dúvida, não porque ele te dará a oportunidade de traçar vários caminhos. Mas sim, porque ele te traçará um caminho. De maneira que você perceberá que sempre houve apenas dois caminhos, o de falar, e o de silenciar.

Patrícia Lima
04/2006

MOVIMENTO O ANTÍDOTO DA FRUSTRAÇÃO

Diante de uma frustração ou desilusão o abatimento é inevitável, ainda que momentâneo. A tristeza entra na nossa alma como o liquido injetado pela agulha entra em nossas veias e logo percorre todo o nosso corpo por meio da corrente sanguínea.
         E mesmo que de forma indesejada o desânimo nos toma. De repente um estado de inércia parece rodear a nossa existência.
          E eis que surge um momento de reflexão, como uma tentativa de não aceitação, buscamos encontrar o erro, na esperança de assim, voltar no tempo, corrigi-lo e enfim, lograr êxito.
         Mas... o tempo é um caminho sem volta. E quando temos que enfrentar essa realidade o caos parece querer se instalar dentro de nos.
         Para reter o desespero, nos apegamos a possibilidade de compreender o que se passou, desprendemos tempo e energia nesse propósito. Assim, somos distraídos dia a dia, o tempo imperioso não nós espera.
         Inertes diante da decepção e do desgosto andamos em círculos. E ao nosso redor tudo parece constante em que pese todo o nosso esforço em mover a realidade para algo novo, esta na verdade acompanha a nossa inércia mental.
         Em determinado momento começamos a frear com este desejo de querer compreender, mais por desistência do que por entendimento. Assim, só nos resta a tão desgostosa aceitação.
         Esta aceitação nos dá duas opções. Ou permanecemos frustrados a lamentar tudo o que não foi, mas poderia ter sido (isso conforme o devaneio de cada um). Ou nós desprendemos daquela velha frustração, tiramos do ruim o lado bom e seguimos em busca de novas conquistas ou frustrações.
         O fato é que esteja você inerte com a vida, andando em círculos preso ao passado; ou em movimento com a vida inerte quanto aos pensamentos do passado. O tempo não para.
         Iniciamos bebês, depois crianças, adolescentes, jovens, adultos, velhos e... tudo isso se dá devido a ação do tempo. Mas... ainda que crianças, podemos ser adultos; ainda que jovens, podemos ser velhos; ainda que velhos podemos ser bebês. E nada impede ainda, que permaneçamos em uma só fase por toda a eternidade. Tudo irá depender das nossas construções mentais e opções.
         Quanto ao desgosto e a frustração, é preferível seguir a lei do tempo. Olhar para frente e seguir construindo novas expectativas. Bem, assim decido eu! Porque viver é se movimentar.

Patrícia Lima
06/05/2007

Esperança, a condução de Deus

A esperança é uma espera com vida, quando as luzes se apagam e não encontramos nada para tatearmos que nos leve a algum lugar, quando nos sentimos no meio do nada, sem sequer uma brisa que nos direcione, eis que surge a esperança, como o dedo de DEUS a nos conduzir.
A esperança não é palpável, não é certa, nem determinável. Na esperança não existem limites, nem metas, nem estratégias, nem objetivos. Não há planos organizados, nem fins predeterminados. Mas, ainda sim, a esperança não é um caos.
Na esperança há força, determinação, coragem e direção. Há sorrisos e aplausos, há vibrações e energia vital, há impulso e não inércia. Há movimento.
Como vaga-lumes na escuridão, assim é a esperança, porque ela brilha, sem alumiar plenamente. Como as estrelas no céu, assim é a esperança, porque ela dá a impressão de claridade, mas não clareia realmente.
 De fato a esperança é uma espera com vida. Porque enquanto nada acontece no mundo exterior ou real, enquanto em sua mente não há solução para os problemas, nem idéias para serem seguidas, ainda sim, algo lá no íntimo do ser diz que ele deve dar passos, simplesmente respirar e se movimentar, seguir...
  Porque lá na frente, em algum lugar, de alguma forma vai encontrar o que procura e o que precisa. Mesmo que na realidade não saiba ainda o que é. Por isso, a esperança é o dedo de DEUS que nos conduz.
  Assim, quando desfalecemos de tristeza, de repente surge a esperança, então nós levantamos, pegamos um ar, e prosseguimos nesta caminhada chamada vida. Onde não sabemos ao certo aonde chegar, mas de certo que chegaremos em algum lugar, é lá, que esta a solução.
  O mais incrível é que não é lá que esta a solução. Na verdade a solução surgiu com o surgimento da própria esperança. A solução é acalmar o coração enquanto esperamos os nossos olhos se acostumarem com o breu, até que possa enxergar tudo no escuro com o simples e singelo brilhar dos vaga-lumes, e enquanto isso, simultaneamente respirar, se levantar e se movimentar. E assim, durante a espera com movimento, a espera sem inércia ou a espera com vida, vamos construindo o nosso amanhecer e com ele virá o sol, e com o sol a luz, e com a luz a solução consumada.

Patrícia Lima