É bom sorrir! É prazeroso dar boas gargalhadas, quando se esta entre as flores, quando os filhos estão seguros, quando a geladeira esta cheia, quando a conta bancaria não esta fazia, quando nas ruas há flores.
Mas não me cobrem sorrisos em meio a guerra! Eu bem que gostaria de rir, bem que gostaria... mas pedaços de mim estão dilacerados em meios aos escombros, local do enterro dos meus mortos.
Querem me ver de cabeça fresca? Não aceitam a minha fúria? Não entendem o meu desapego pela vida? A vida jorrava de dentro de mim, no sorriso dos meus filhos, nos olhos faceiros da minha esposa, no cheiro agradável da comida da mãe, na gritaria das reuniões familiares... A vida jorrava de dentro de mim... Mas... as lembranças desses tempos não são o suficiente! As lembranças são as sombras, somente as sombras do que um dia era vida!
Agora se eu mato, ou se eu morro... já não importa, meu desejo é apenas afogar a dor, e me lançar na guerra, para trazer na morte, algum sentido para essa aparente vida! Vida que me desgosto, vida que me sufoca, vida para vocês que me observam, porque para mim... estou tão perdido! Aqui, o louco é normal porque não nós preocupamos com a loucura aparente, porque tudo isso já se tornou em loucura, se acostumar com o barulho das bombas, das balas, dos choros, uma guerra incansável. Tudo isso já é loucura!
Quando olho desolado para meu povo, não é pai, nem irmão, nem tios, ou primos, não é filhos, ou netos... mas é como se fossem, porque vejo em seus semblantes a minha mesma experiência de dor, e nos tornamos um pela dor.
Por eles ainda escrevo, porque alguns ainda tem preservado espaços sem ferimento, e nas crianças ainda há esperanças de mentes sãs... Para que viva ao menos a memória, digo. – deixem-nos em paz!
Texto inspirado em fotos de guerra no Libano!
Patrícia Lima Brasília, DF 04/02/2012
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