sábado, 9 de outubro de 2010

A RAINHA VIRGEM

         Rainha Elizabeth da Inglaterra, a rainha virgem e protestante. Elizabeth reinava num trono que não era propriamente dela, a sua prima era a rainha legítima, na linha sucessória do trono. Para Elizabeth permanecer no trono deveria se casar e constituir um herdeiro. No entanto, Elizabeth não conseguia escolher nenhum príncipe, pois buscava apaixonar-se, era a única forma pela qual se submeteria ter um Senhor.
         Enquanto Elizabeth era pressionada a se casar, envelhecia, e paulatinamente ia perdendo também a fertilidade. Conta-se que não era muito vigorosa, sempre adornada com perucas, meio Calva, mais ainda sim, a alma de Elisabeth era inegavelmente linda!
         A Espanha queria o trono de Elizabeth- de maioria católica- se viam como filhos de Deus, e Elizabeth, filha da escuridão, por guiar-se ao protestantismo. Mas a bandeira católica da época, possuía as marcas da “Santa Inquisição”, julgavam-se os “guardiães do evangelho”, aqueles que podiam e deviam matar e torturar em nome da fé. Acredito que entre estes filhos de Satã havia homens sinceros, que se calavam diante do desconhecido e se submetiam a aceitar certos preceitos que embora lhe cortassem o coração, dentro de uma visão medíocre de si mesmos, em acreditar serem meros vermes diante de todos os mistérios de Deus, matavam e morriam “em nome de Deus”.
         A Espanha planejou astutamente uma guerra impiedosa, e para tanto, empregou navios, homens, e armas. A Inglaterra não detinha tanto poder, entre os ingleses haviam católicos, alguns munidos por um sentimento de fé também intentavam contra a vida da Rainha. Mas ela não os forçava a abraçar o protestantismo, ciente que a fé é inspirada na liberdade de consciência.
         Diante de conspirações, os espanhóis e alguns do alto clero católico fomentavam no coração de sua prima que matasse Elizabeth, assim, aquela tomaria o trono que de fato era seu por direito. Diante de uma estranha conspiração, Elizabeth sofreu um atentado, num desses dias em que ia ao templo orar um certo homem entrou porta a dentro com uma arma nas mãos e apontando-a para Elizabeth atirou. Mas... só ouviu-se o barulho da pólvora, a arma estava sem munição. Elizabeth se salvou, e a prima foi condenada a forca.  Assim, a Espanha encontrou razão para levantar-se contra Elizabeth, e a guerra foi declarada.
         Elizabeth consultou o astrólogo da época, que usou de sabedoria, mas não de mentira. Ele disse que um reino iria sobrepor-se, e que vinha a grande batalha. Elizabeth temeu, mas munida da coragem que só o Espírito Santo dá, Elizabeth enfrentou a guerra. Disse ao povo: precisamos vencer, do contrario, será o fim da liberdade de pensamento. Vamos lutar e no fim nos encontraremos, seja no campo da vitória, seja no reino celestial.
         Assim, tudo dizia não a Elizabeth, uma rainha que não conseguia casar nem ter filhos, uma rainha protestante num reinado de metade católica, com pouco dinheiro, pouco armamento, e ainda, possuía um trono usurpado. Tudo dizia não a Elizabeth. Mas os ventos sopraram a favor da Rainha, e a Inglaterra venceu. A Espanha recuou vergonhosa, pois havia perdido uma guerra onde tudo lhes parecia favorável.
         Elizabeth não se casou. Mas disse, sou eu mesma, mãe de meus súditos, mulher de meu Senhor Deus!
         Elizabeth governou um país! Enfrentou uma guerra! E mesmo diante da sua aparente fragilidade não fugiu, nem se submeteu. Não se submeteu aos gritos espanhóis que diziam: - O seu país será dominado; Não se submeteu as pressões de seus conselheiros que diziam, case-se Elizabeth, com um rei qualquer que seja, mas dei-nos um herdeiro.
         Hoje, nossa guerra é espiritual e por muitas vezes fracassamos, cantamos: - O meu Deus, e o Deus do impossível. Mas nos rendemos a falta de emprego, a falta de dinheiro, a falta de um relacionamento sexual, a falta de uma posição social. Muitas vezes vendemos a nossa Coroa celeste por menos que um prato de lentilha.
         Penso que os cristãos que foram mortos ao longo da história do cristianismo, os quais em apocalipse consta que estão continuamente diante do trono de Deus clamando por justiça. Creio eu, que muitos intercederam por nós pedindo: “Senhor, pai de misericórdia, que nem todos precisem sofrer tantas chagas na carne como prova de amor por ti, que nem todos sejam enforcados, mortos, queimados e esquartejados. Permita que desfrutem da oportunidade de dizer apenas SIM, EU ACEITO JESUS, e deixe que eles possam demonstrar o grande amor por ti, com atos de fé que envolvem as questões cotidianas, como casar, prosperar, e ter saúde”. Assim, como era trabalhado no coração dos Judeus, quando a graça da salvação para os gentios ainda era apenas um plano que Deus guardava no coração. Então, acredito que Deus disse: SIM!
         E hoje, ao menos aqui no Brasil, podemos dizer: EU AMO JESUS, EU SOU CRISTÃO! Sem que essa declaração nos sujeite a dores e castigos. E assim fazemos. Mas...em nada nos abstemos de pagar o preço pelo amor a essa fé!
         Quantas vezes dedicamo-nos aos estudos... sempre na confiança de que quando tiver carros e cavalos, combaterá um bom combate, com recursos próprios, não precisará a todo instante viver pela fé, aos menos no que tange ao dinheiro. Cremos que Deus fará multiplicar o pouco de azeite da nossa botija e assim poderemos fazer a obra. Orfanatos, casas de recuperação, dinheiro para viagens missionárias....etc... Hoje aqui em Brasília, poucos não gostariam de exercer um excelente cargo público! Status, certo poder... “coisas que sempre achei medíocre, fruto da pura vaidade humana, tola, pobre e imatura”. Por obvio que não há nada de errado estudar e buscar um bom ofício. De fato é difícil encontrar um oficio que realmente nos faça sentir que estamos cumprindo a nossa missão nessa terra.
         Mas... é preciso “cair na real”, ou melhor – enxergar a realidade-. Observo, como nossos sonhos são infantis e imaturos! Não é o emprego, não é a liberdade que o dinheiro pode proporcionar, não é o ofício “x” que vai desempenhar que irá lhe propiciar servir a Deus, com todo o zelo! É apenas o, EU SOU, que propiciará isso.
         Faça o que esta ao seu alcance; o que sua visão limitada pode ver! Mas...tudo pode se tornar em nada, ou melhor, esse nada, pode continuar sendo nada, se Deus não intervir! Não é o cargo que vai mudar sua vida! Embora de certo modo, muitas mudanças podem vir com isso. Mas o que pode realmente mudar a sua vida dando a ela a punjância que sua alma necessita... somente o “EU SOU” pode!
         Elizabeth, conhecida como a rainha virgem! Só ela sabe o que isso representou, ela, que buscava um amor...não teve, pois o único príncipe da época digno dessa Rainha, estava num reino muito distante, o qual ela só atingiria se vencesse a morte. Cristo! E por fim, Elizabeth decidiu por esperá-lo.
         Muitos de nós, quando desafiados a esperar por esse príncipe, negamos a fé... declarando que “a carne e fraca”. Não precisamos nós submeter a dor, só é necessário se abster de sentir certos prazeres... de forma inoportuna em tempo inapropriado. Se não agirmos assim, que grande vergonha! E ainda temos um exercito de testemunhas desse nosso fracasso.
         A castidade, a honestidade, o tempo dedicado a obra, o freio ao orgulho, a vaidade, a soberba, a avareza..., não são ações de medo... religiosidade... submissão a ditames humanos... fé cega, ou coisas do tipo. São na verdade manifestações da mais sincera devoção ao Cristo, do mais puro amor as almas, da grandiosa força da fé em nós, que faz brotar, nascer e florescer os frutos do espírito em nossas vidas.
         Pois somente conhecendo o evangelho, não apenas de ouvir falar, mas como uma fonte que brota de dentro. Somente amando as almas as quais Cristo nos compele amar, somente amando verdadeiramente a Deus com toda nossa alma, força e entendimento, somos capazes de vencer a batalha mais difícil que temos a travar, aquela que não nos imputa medo, mas nos enfraquece. A batalha com a nossa própria carne.

Patrícia Lima
Texto inspirado no filme: ELIZABETH!

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